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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010


A ESTAÇÃO: A estação de Periperi foi inaugurada em 1860. Teve um novo prédio construído em 1938. O prédio atual foi construído depois, específico para os trens de subúrbio. "'Só de raro em raro um fato inesperado rompe a monotonia dessa vida suburbana. Isso de março a novembro, porque nos três meses de férias, dezembro, janeiro, fevereiro, todos esses arrabaldes da Leste Brasileiro, dos quais Periperi é o maior, o mais populoso e o mais belo, enchem-se de veranistas. Muitas das melhores residências ficam fechadas durante quase todo o ano, pertencem a famílias da cidade, abrem-se apenas no verão. Aí então anima-se Periperi, invadido de repente por uma juventude álacre: rapazes a jogar futebol na praia, moças de maiô estendidas ao sol na areia, barcos a cruzar as águas, passeios, piqueniques, festinhas,namoros sob as árvores da praça ou na sombra dos rochedos'. Assim o escritor Jorge Amado descreve a vida no Subúrbio Ferroviário nas primeiras décadas do século. Amante de todos os cantos de sua terra natal, a Bahia, o escritor escolheu o Bairro de Periperi para ambiente físico do romance Os Velhos Marinheiros, em 1961. No livro, Jorge Amado discute as aventuras do Comandante Vasco Moscoso de Aragão, que ao chegar no Subúrbio de Periperi muda a pacata rotina dos moradores. Ao mesmo tempo em que o leitor se delicia com a saga do personagem fictício, ele visualiza, em certos momentos da leitura, um panorama descritivo da população, do modo de vida e dos costumes do bairro, na época, considerado a capital do Subúrbio Ferroviário: 'A população estável (se excetuarmos pescadores e uns poucos comerciantes - donos da única padaria, de uns dois bares, de outros tantos armazéns de secos e molhados, da farmácia -, alguns funcionários da Leste Brasileiro nas casas ao lado da Estação) é formada de aposentados e retirados dos negócios com suas respectivas famílias, quase sempre apenas a esposa e, por vezes, uma irmã solteirona. Alguns desses idosos personagens afirmam preferir Periperi no seu pacato quotidiano de antes e depois do verão, mas, em verdade, todos eles terminam por envolver-se, de uma ou de outra maneira, na turbulenta agitação do veraneio. Quando não seja, para espiar, com olhos compridos e cobiçosos, os corpos femininos seminus na praia - cada pedaço de mulher - ou para comentar acidamente os casais de namorados nos cantos escuros.' Um visitante que veraneou nos velhos tempos no Subúrbio surpreender-se-ia, de imediato, se voltasse hoje ao local. A população de classe média foi substituída pela de baixa renda, as residências expandiram-se para além do litoral, ocupando os morros e as áreas da mata. O ar bucólico cedeu espaço ao caos urbano, na formação de favelas e no crescimento desordenado das famílias. As praias, poluídas, atraem apenas a população local, sem maiores recursos financeiros" (Coração Suburbano - O Pulsar da Cidade que a Cidade não Conhece, Gladys Santos Pimentel, Salvador, Dezembro de 1999, Universidade Federal da Bahia - Faculdade de Comunicação). Periperi é hoje uma estação de trens suburbanos tocados pela CBTU. Logo após a estação existe um túnel na linha, entre as praias de Periperi e do Couto. A linha de subúrbios entre as estações de Lobato e do Paripe corre sempre junto ao mar e é um trajeto muito bonito. Em 1981, a estação atual foi construída substituindo a anterior. (Fontes: Alexandre Santurian; Estradas de Ferro do Brazil, de Cyro Deocleciano R. Pessoa Jr., 1886; Guias Levi - edições de 1932 a 1984; Relatório da SR-7, 1984; Coração Suburbano - O Pulsar da Cidade que a Cidade não Conhece, Gladys Santos Pimentel, Salvador, Dezembro de 1999, Universidade Federal da Bahia - Faculdade de Comunicação)

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