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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Pesquisa aponta causas da violência no subúrbio ferroviário de Salvador

O desemprego, a influência do meio, a família e a pobreza foram apontados pelos moradores do Subúrbio Ferroviário de Salvador como os principais fatores que fazem um indivíduo marginal. A conclusão é apenas um dos resultados de uma pesquisa realizada pelo Programa de Redução de Danos Sociais nos Bairros do Subúrbio Ferroviário de Salvador, por intermédio de um convênio entre o Ministério Público estadual, Universidade Federal da Bahia (Ufba) e Ministério da Justiça, apresentados ontem, dia 17, numa audiência pública realizada na sede do MP. Partindo do retrato sociológico da região – uma das mais pobres e populosas de Salvador e com maior índice de criminalidade –, apresentado no livro-diagnóstico “Sociabilidade e Violência – Criminalidade no cotidiano de vida dos moradores do Subúrbio Ferroviário de Salvador”, o Ministério Público deverá desencadear ações de defesa de políticas públicas voltadas para o local.

A coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça da Cidadania (Caoci), promotora de Justiça Itana Viana, explica que “a violência não é apenas uma questão de polícia e justiça, como se costuma ser divulgado. Ela está diretamente ligada a relações sociais já deterioradas”. Segundo Itana, as formas precárias de atendimento à saúde, educação, lazer e segurança pública, além falta de acessibilidade à justiça, são fatores desencadeadores da exclusão social e, como conseqüência, da violência. Por isso, os pesquisadores do Programa procuraram identificar os aspectos da vida cotidiana dos moradores do subúrbio que afetam de forma negativa as suas vidas, provocando neles sentimentos de desgosto, tristeza, medo, raiva e ódio.

Representando o sociólogo Gey Espinheira, que coordenou as pesquisas, o professor da Ufba José Raimundo dos Santos explicou que elas procuraram compreender a relação de sociabilidade no subúrbio, chegando à conclusão de que a violência atinge a todos de forma indiscriminada. “Ser pobre não implica em ser delinqüente, por isso partimos para a investigação social”, explicou, acrescentando que a discriminação surge porque a sociedade e a polícia costumam enxergar os moradores do subúrbio como marginais.

Uma vez que são os jovens as maiores vítimas da violência, o Programa promoveu um curso com a finalidade de informá-los sobre os seus direitos enquanto cidadãos e para que funcionem como multiplicadores, interagindo e promovendo melhorias na sua comunidade. “Foi a primeira vez que pudemos relatar a nossa realidade de violência e discriminação e aprender como exigir nossos direitos”, explicou a estudante Cléssia Dantas que, assim como outros jovens que participaram do Curso de Formação de Agentes Sociais de Defesa da Cidadania, recebeu seu certificado na audiência pública. Também participaram do evento, a procuradora-geral de Justiça adjunta para assuntos institucionais, Sara Mandra Rusciolelli, que fez o pronunciamento de abertura; o diretor do Centro de Recursos Humanos da Ufba, professor Paulo Fábio Dantas Neto, representando a universidade; representantes das Polícias Militar e Civil; promotores e procuradores de Justiça; autoridades locais; dentre outros.

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